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Esse é meu :)

abril 13, 2008

Ai vai um poema de minha autoria para comemorar minha volta ao mundo da poesia.

Reversos e Desejos

Desejamos o que é proibido,
queremos o que não se pode ter,
esperando que houvesse acontecido,
sempre remoendo o que poderia ser…

Acordado durante a noite,
eu busco entender,
porque sou tão indeciso?
porque não faço acontecer?

Como um navio naufragando
sinto-me pesado e sem ar
meus pés vão afundando
nesse imenso mar de pesar…

Mas então percebo que
é bobagem ficar assim a remoer
uma situção que não existe
e que jamais vai retroceder.

Pedro A. Nicoletti

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Poema de Sete Faces

novembro 7, 2007
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade
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outubro 10, 2007

Fantasia Onòica

Olá

Supreendeu me a quantidade de poemas que o blog tem recebido. Não só a quantidade como também a qualidade. São poemas muito bons, que me inspiram voltar a escrever e me deliciar com essa onda onírica estonteante.

Gostaria de agradecer a todos vocês por isso.

Logo estarei de volta (depois de muito tempo…) com novos poemas. Por enquanto aproveitem aqueles postados em “Sua Poesia” e os blogs que selecionei até agora.

Atensiosamente

Niko

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Ismália

junho 4, 2007

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Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…

ALPHONSUS DE GUIMARAENS

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Luís Vaz de Camões

maio 30, 2007

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Poeta português (1525?-10/6/1580). Luís Vaz de Camões nasce em uma família da pequena nobreza, não se sabe ao certo se em Lisboa ou Coimbra. Ingressa no Exército da Coroa de Portugal e participa da guerra contra Ceuta, no Marrocos, durante a qual perde o olho direito. Boêmio, de volta a Lisboa freqüenta tanto os serões da nobreza quanto as noitadas populares. Embarca para a Índia em 1553 e para a China em 1556. Em 1560, o navio em que viaja naufraga na foz do rio Mekong. Camões salva os originais de Os Lusíadas nadando até a terra com o manuscrito. Nove anos depois, retorna a Lisboa com a intenção de publicar o poema, o que só acontece em 1572, graças a um financiamento concedido pelo Rei Dom Sebastião. Os Lusíadas funde elementos épicos e líricos e sintetiza as principais marcas do renascimento português: o humanismo e as expedições ultramarinas. Sua base narrativa é a expedição de Vasco da Gama em busca de um caminho marítimo para as Índias. Nela, mescla fatos da história portuguesa com intrigas dos deuses gregos, que procuram ajudar ou atrapalhar o navegador. Morre em Lisboa, em absoluta pobreza.

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Ao Desconcerto do Mundo

maio 27, 2007

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Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
 
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.
 
                  Luís de Camões

	
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Amor é fogo que arde sem se ver

maio 26, 2007

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
 
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É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
 
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
 
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
 
                           Luís de Camões
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