Ignora-me por te querer
humilha-me, pois te desejo.
e por pedir um mero beijo
crucifica todo o meu ser.
Mas não pense que sou brinquedo seu
, pois quando você pensar, então,
que estou completamente em sua mão,
será quando terá perdido para sempre
aquilo que jamais lhe pertenceu.
testando a poesia
que me carrega dia-a-dia
que me leva e que me guia
testando a poesia
que surge em minha mente
que aparece derepente
mas as vezes se esvazia
e nesse testar constante
busco aquela palavra
que mesmo calada
se mostra gritante
O homem sente desejos,
Como o físico deseja alimento.
Os desejos do homem são vários,
Desejos da carne,
Desejos da alma,
Desejos do coração.
Os desejos do homem,
São expressos de várias formas.
Desejos nos pensamentos,
Desejos nas palavras,
Desejos nas atitudes,
Desejos incompreensíveis.
Os desejos do homem,
Provocam questionamentos ,
Provocam insatisfações,
Provocam visões,
Provocam arrependimentos.
Os desejos do homem,
Dão muitos frutos.
Frutos de alegria,
Frutos de tristeza,
Frutos de sabedoria,
Frutos de incerteza,
Frutos de esperança.
Os desejos do homem,
Quando são realizados,
Podem ser árvore de vida,
Podem valer mais que ouro,
Podem produzir satisfação,
Podem ser a salvação,
Podem ser a perdição.
Sonda-me, ó Deus,
Conhece os meus desejos.
Prova-me, e conhece os meus pensamentos,
Guia-me pelos teus caminhos.
Porque essa tristeza nos corações?
E essa frieza nas suas ações?
O mundo não poderia ser feliz?
Gostaria que tudo fosse facil…
Queria em todas as bocas sorrisos
Em todos os braços bons abraços
Em todos os corações uma frase:
EU TE AMO!!!
Quero chegar a minha velhice
Com histórias pra contar,
Mas histórias felizes
E não histórias para chorar
Histórias que passei com amigos
Histórias para “ficar na História”
E quando eu acabar num azilo
Por favor me deixem isso pelo menos a contar!!
por
Leandro R. da Costa
junho 11, 2007 at 11:53 pm
Inveja
Não dá… preciso desabafar…
posso até morrer
se mais um pouco aguentar
pois nessa inveja não dá pra viver
da vontade de sumir
e nesse mundo
não mais exixtir
é como descer num poço imundo
e muito fundo
cheio de ódio e amargura
tento esquecer
o que no mundo há de ruim
mas não dá
não dá para viver enganando a mim mesmo…
Leandro R. da Costa
por
Leandro R. da Costa
junho 12, 2007 at 12:12 am
UM SONETO PROIBIDO PARA BRUNA SURFISTINHA
Ah… maldito esse pudor que me censura!
Quanto eu quis ao menos te manter presente…
Mas me priva a realidade que consente
De beber tuas lágrimas de loucura.
Só queria, nem que fosse virtualmente,
Nesses versos débeis e sem compostura,
Tão somente uma gotinha de aventura
Em minh’alma, de tão certa, deprimente.
À distância, mil distâncias entre nós,
Desejei sentir tuas curvas tão sinceras.
Mas teu âmago veio lhe pedir a conta…
Fantasia, realidade, quem de vós:
Qual prazer e gozo a mim serão quimeras
Pra essa vida que tanto nos desaponta?
Rasgou-se a mágoa e a dor
De ser quem não podia
E agora que te pedi calor
Apagou-se a trémula luz do dia
Queria apenas uma retribuição
Queria apenas algo que m’enchesse
Mas perdi-te da vista, entre a escuridão
Deixando que essa luz se desvanecesse
Procurei-te nos portões entreabertos
Procurei-te nas covas onde se enterram as panóplias
Mas foste levado para algures entre os ventos incertos
Onde só se vêm glorificados os hipócritas
Soa a brisa arrepiante
Que me trespassa as costas
Toque, Musa, e cante
Enquanto eu…
Me afundo onde não há respostas
Mas que raio sou eu
Metida no meio deste nada?
Este amor que em mim se ergueu
Pelo que vejo, só serve para ser condenada!
Escrevo ao ritmo dos violinos atiçados
Onde quase se ouve o sangue a cantar
Veias que rebentam em ritmos amaldiçoados
De quem um dia não pôde amar
Disseram-me que se eu tivesse amor para oferecer
Teria o poder divino de me agarrar à vida
Mas nada passou de algo que veio para me apodrecer
Pois quando tentei, cortaram-me as asas logo à partida
Quando se deu a mais bela união das almas
Foi-nos apontado um sentimento de vexo
Olho para o amor e lá fora batem-se as palmas
Por se verem condenados, os amantes do mesmo sexo
Este é o meu Mundo escrito a eito
Onde abertas, vêm-se fechadas as portas,
Um dia disseram-me que Deus escreve direito
Mas eu aqui só vejo palavras tortas!
(Num dia encoberto de nunca mais,
Faço um apelo para que o complexo seja abandonado,
Isto é dedicado a todos os homo e bissexuais
Que ao longo da história, tiveram sempre um dedo apontado!)
Ora!Direis então navegar nas ternuras e do olhar robar os brilhos mais cobissados pela lua…
De um nome que não a conhece
Nem tão pouco à vê!
Mas tua pele es manta, branda e teus lábios ceda doce
Feita toda pra ceder…
Tú que de nada sabes e buscas saber…
A longa distancia te entrigas sozinha a já penar sofrer!!!?
E agora então tú dizes ver
um cavalheiro de sonhos e fantasia…
Pois vos digo porém:
Que tú pouco ves a realidade enquanto
a ilusão te facinas.
E por ventura dorme ao leito do aurora enquanto o dia
termina…
LEVADO POR ESSE MOMENTO OPORTUNO DE ONDE TIRO FORÇAS PARA PROSSEGUIR POR MEIO DESSE VASTO LUGAR ONDE NADA CRESCE, ONDE SENTIMENTOS NÃO FLORAM NEM MESMO UMA FRAÇÃO; AO NÃO SER CLARO, AQUELA PEQUENA LUZ VINDA DE VOCÊ QUE ESPANDE–SE POR ESSA ESCURIDÃO. VINDO A ATINGIR O MAIS PROFUNDO SENTIMENTO ARMAZENADO EM MEU SER NESSE MOMENTO DE DESVANEIO, ONDE PARECE QUE ESTOU EM UM MUNDO DIFERENTE, REPLETO POR ALGO QUE NÃO CONSIGO DESCREVER. O QUE SERIA ISSO? ALGO QUE AQUECE MEU PEITO DE UMA FORMA INIMAGINAVEL, PARA MIM OU PARA QUALQUER OUTRO SER, OU NÃO; SERIA POSSIVEL OUTROS TEREM SENTIDO O MESMO? SINTO-ME CONFUSO, MAS COM A CERTEZA DE QUE TUDO SÓ TEM UM SIGNIFICADO, UMA DIREÇÃO: VOCÊ.
SEMPRE VOCE A ESTENDER SUAS MÃOS PARA ME RETIRAR DE UM LUGAR QUE NEM MESMO EU CONHEÇO, IMAGINO ENTÃO VOCÊ: DE ONDE SURGE TANTA CORAGEM? SERIA VOCE IMPUSIONADA PELOS MESMOS DESEJOS QUE EU, E ESTANDO AS SOMBRAS DESSE LUGAR AONDE SOMENTE UM RUIDO VINHA A ESCUTAR?
HOJE EU DESCOBRI QUE LUGAR E ESSE QUE SE MANTIA FECHADO NAUM DEIXANDO A LUZ ENTRAR; SEI ESSE, NÃO , NÃO POSSO VIR A CRER MAS SIM. VOCE ME MOSTROU QUE ESSE É O TAL LUGAR QUE TODOS DIZEM SER REPLETO DE FELICIDADE. PORQUE ENTÃO SÓ VIA TRISTEZA, ANGUSTIA E MEDO.
NÃO SEI, MAS APÓS SENTIR O SUAVE TOQUE DE SUAS MÃOS, NÃO VEJO MAIS ISSO. NÃO ME IMPORTA, NÃO QUERO NUNCA MAIS LARGAR SUAS MÃOS QUE ME LEVAM A VIAJAR, ME AFASTAR, A ESPLAINECER TUDO. AGRADEÇO-LHE POR VOCE ME MOSTRAR REALMENTE COMO DEVE SER ESSE LUGAR QUE TODOS CHAMAM DE CORAÇÃO, MAS QUE HOJE CHAMO DE VOCÊ, POIS ESTA REPLETO DESSE SENTIMENTO CHAMADO AMOR, QUE VEIO JUNTO COM VOCÊ. ACOMPANHADO POR ESSA TAL DE ALEGRIA QUE ME DEIXA TÃO BEM, MAS UMA LAGRIMA TENDE A DESCER PELOS MEUS OLHOS PORQUE ME SINTO MUITO BEM. SERIAM ESTAS ENTÃO, LAGRIMAS DE FELICIDADE QUE SURGEM APÓS DESCOBRIR TUDO ISSO AO TEU LADO. OBRIGADO, É O MINIMO QUE CONSIGO DIZER NESSE MOMENTO. CREIO QUE VOCE PODE VER EM MEUS OLHOS, DURANTE ESSA BATALHA COMIGO MESMO, TUDO O EU QUE GOSTARIA DE TE DIZER. MAS ACHO QUE TE AMO DIRIA TUDO QUE SINTO POR TI.
Só tiver
Não é tudo
É esquecer de mim
É esquecer do mundo
É um deserto no meio do mar
Seu rumo certo se irei te encontra
Ou muito perto
Ou muito longe
Quero saber onde
Com quem voce anda
Com quem voce vai
Sou apenas a tristeza, e nada mais.
É você a portadora de alvíssaras
A que vai espalhar a boa nova em meu coração
E me dizer que o amor pode continuar?
É você aquela que com boca de profeta
Vai massagear o meu coração com o calcanhar
E aliviar a minha dor de amar com palavras de felicidade?
É você quem me dirá que o amor vai prosseguir
Quem vai me ensinar a perdoar?
Você me ensinará a escrever respostas?
Então por que sorris pra mim?
Já escutei muita música porque elas me diziam muito, como ainda dizem.
Já mudei muito a minha vida por causa de canções.
Tenho em mim vários registros.
A voz da Maria Bethânia é algo que vou levar por toda a eternidade:
Ela me diz.
Escutei de longe, quando teimei em ir embora, ela cantando no salão.
Escuto sempre você me dizendo:
Muda o rumo desta história agora.
E como se eu fosse a pedra num estilingue.
É canção forte.
Você também me diz.
Sentimento sertânico e armorial permeia meus pensamentos
E sou e estou transeunte, sussurro mancinho aquilo que é doce
E trago na língua plúmbeo projétil de verso
Qual Deméter trago em meus braços, não mais papoulas,
Agora ipoméias de flores azuis.
Não faço pirraça nem busco luxúria
Se não fora rebelde seria ortodoxo
Mas trago muito mais em mim que apenas versos e cigarros
Trago manhãs de sacra ode
Trago o trinado das primeiras cordas e o bramir das últimas
Represento a busca, como meus escritos sou pegadas gravadas
Indelével perfume de aurora sertaneja
E meus olhos se perdem contemplando meus reinados
Não sou dono de terras, mas sou terras sem dono
E meus castelos são de muros cactáceos
Meu brasão possui a insígnia dos cantadores,
Pois sou bardo de meu povo e crente nas coisas mágicas
As que posso ver, as que posso ouvir e as que posso sentir
Eu sou um não ao avesso
Ouçam minha música… E não esperem de mim sofrejos; não esperem de mim andrajos… Ou desculpas ou pudor.
Ouçam minha música e não esperem atitudes que não sejam minhas; não esperem de mim modelo, não esperem de mim mentiras.
Ouçam minha música… E não esperem ou cobre de mim a música; não esperem de mim o verso ou o inverso.
Leiam meus escritos… E não esperem de mim os ditos, nem os mitos; não esperem de mim favores… Não esperem de mim rancores, pois não os tenho.
Não esperem de mim desdém, ou ênfase.
Ouçam minha música, leiam meus escritos… Não esperem o que não sou; não quebrem ou cobrem, não invertam nem submetam; não ponham palavras nos meus escritos, nem frases em minha música.
Apenas ouçam minha música, leiam meus escritos; aproveitem o que digo e enquanto eu digo; se divirtam com meus erros e acertos… Mas não espere de mim padrão! Não esperem hegemonia!
Não me culpem ou cacem! Ouçam minha música, leiam meus escritos, é lá que sou e estou…
Não me submeto nem me sub-omito…
Leiam minha música… Ouçam meus escritos.
Cabe, pois ao poeta, a resignação!
Bem aventurado o que nega o ópio, ainda que sua presença seja uma constante!
Ah! Discípulos de Lorde Byron!
Transeuntes da polêmica!
Incestuosos avatares da divina arte!
Sabeis que vossos versos são ouvidos! Mártires da vanguarda!
Masturbando a digníssima decência com estrofes libertinas de desapego!
Circundo as esferas da luxúria calmo e imponente!
Lanço versos ao espaço crendo, pois que sou qual Deus! Navegando na eternidade de minha individualidade!
E a majestosa nobreza? Coitada!
Tão desamparada frente a esses depravados sacerdotes da palavra!
A eles causa repugnância nossos cortejos eternos!
Nossos cósmicos adultérios e nossa sede de desejos!
Dai-nos absinto! Ayahuasca!
Encha-nos com o vinho orgásmico da pisilocibina!
Pois somos nós os descendentes dos Deuses e Deusas dos nossos ancestrais!
Mas hoje?! Frente ao caos, antes por nós profetizado…
Cabe tão somente ao poeta a resignação.
________________________________________
________________________________________
O verso lançado ao poço
Agora que a colheita torna-se severa;
e a mais pura alegria jaz entre os mundos.
Sou como o vento soprando alto nos Pirineus
Tal qual a brisa que não é notada por entre os sertões
O mar é silêncio e melancolia, suas ondas revertem em som a quietude de outrora.
Sílabas… Odes…
A matéria cria formas e o inenarrável se reflete em luz, a emoção se funde em letras… Não desejei tal fardo de sonhos!
Jamais busquei a comodidade da dependência.
Agora sou como a Dríade que chora a morte da árvore… Como o céu em espasmos elétricos… Como a terra em convulsões vulcânicas… Como martelo e foice sem campo ou área.
A serenidade não é autêntica… É luto.
A lágrima é grito.
Não obstante, sou o palco vazio das minhas algemas dolorosas; sou o chão frio e seco das minhas esperanças, sou a impossibilidade do recomeço… A frustração do tenor… e o verso lançado ao poço.
Quão maravilhoso me parece ser amado pela morte!
Vagar pela noite sem fitar a luz do dia, bebendo sem agonia o sangue puro das consortes!
Tendo ainda a magia da beleza imortal! Sendo um ser transcendental que ao tempo desafia!
Quão maravilhosos me parecem estes olhos que não perecem! De um vermelho tão profundo, sendo ainda um ser imundo e se escondendo num caixão?!
Cruzes mal algum lhe fazem! Isso tudo é bobagem de um irlandês demente! Até diria indecente como o toque da tua mão.
Vampiro é teu nome! Quente como a chama que consome a vela no altar; fazendo-me até chorar de ódio, amor ou medo; por conter este segredo da tua simples existência; que o homem por tendência teima em não acreditar.
Hoje em dia desconfio se te amo ou desafio, se te odeio ou te ignoro ou se apenas eu imploro que a tua existência não passe só de lenda nem de fruto do ilusório…
Pois me digam meus amigos… Como é que eu me inspiro… sem a história de um Vampiro?!
Deixe-me voar, deixe que minhas asas cresçam.
Quero percorrer o céu noturno com estrelas de vidro, pois vibro.
Vivo a viver a vida no segundo, oportuno ou não.
Deixe-me beijar a face púrpura da lua ao nascer; descender do lobo solitário perdido da matilha, lobo Raizana, atendendo ao chamado do velho Apache.
Deixe-me descer ao mundo profundo dos xamãs! Sioux, Navajo, Tapuias… Yanomamis… Viver você.
Não cortem minhas asas de coruja, para que eu possa voar na alvorada dos sonhos, nos oceanos glaciais… Nos mares licérgicos e mescalinos.
Deixe-me amar o lobo Raizana e agarrado em seus pêlos atravessar o portal da ayahuasca.
Aceito de ti o vinho que me ofereces…
Ainda que eu não saiba se o me dará todo.
Aceito de ti o beijo que me deflagras…
Ainda que o desejo ultrapasse o corpo.
Aceito a tua fogueira que queima a alma…
Ainda que eu saiba ser imortal.
Aceito a divindade do teu olhar de calma…
Ainda por perceber a conjunção fatal.
Percebo ainda o crepúsculo frio, rasgando o véu do dia qual herdeiro de trovas.
Aceito de ti, o acorde inicial…
Ainda por saber compor a melodia de Eros.
Aceito tua pronúncia do que é real…
Ainda por termos a sorte de não sermos cegos.
Aceito de ti a dança em passional Vestália…
Ainda por ser pagão como vossa essência.
Aceito de ti Allegra, o instintivo aval…
Ainda que me sobressalte o peito em lágrima.
Se o vinho que tu me destes, for apenas para sentir o sabor…
Afasta de mim o cálice deste veneno encantador.
Mas se o vinho que tu me destes, for para deleite da existência, prometo sorver a taça… E me embriagar com sua essência.
Quisera eu, poeta, lograr êxito nos meus sonhos estapafúrdios…
Ainda que os mesmos possuam valores tão confusos e ainda assim querer amar!
Vá poeta! Procure nas noites de sua eterna boemia, o amor que lhe cabe em esta vida de melancolia e descubra poeta, a essência do teu sonhar!
Procurei em bares e ruas uma mulher que me quisesse, que trouxesse ou que pudesse me fazer amar o amor…
Não achei, pois me chamam louco, este mero poeta torto, o que fazer se sou um ator?!
Hoje, estou sozinho, ou melhor… estou poeta!
Esperando qual profeta minha morte prematura; sem sangue ou carne crua… a solidão que me acerca.
Não sei se louco, se bruxo, se hippie cabeludo ou simples trovador…
Sei que estou sozinho…
Ou melhor…
Estou poeta em busca brusca do amor.
Eu fui buscar no mato, a casca da jurema pro pajé fazer o chá. Pedi água pra Iara, pedi folhas pra Jarina, pedi asas pra Jandaia, mergulhei com Janaína…
Acendi fumo de corda com semente de Umburana, eu dancei com Pachamama velha dança no Toré. Perimbó e Deus Tupã, pensamentos delirantes, a Jandira e o Massato fazem parte do pajé…
Sou Tapuia, sou Xavante, sou guerreiro Yanomami, Tupinambá ou Cariri, sou Pataxó ou Guarani! Sou do povo Caiapó, eu sou índio Tapajó, com jenipapo e urucum no meio do Ouricuri…
Eu fui buscar no mato o cipó do Mariri, nas terras de Muyrakitan encontrei a luz de Yaci. Na cabaça botei água dancei a dança da águia fui na busca da visão e avistei a Juriti…
O passarinho me falou que o pajé já terminou, a Jurema foi fervida e o chá cura ferida e também mostra o interior… Sou Ocá, sou Funi-ô, curandeiro e caçador… Meu colar de pena branca…
Estou eu… apenas dedilhando as têias da vida…
Correndo o risco de ser capiturada e fatalmente vir a viver!
Estou dedilhando as têias da vida me procurando caminhos… achando respostas.
Protelando o agora em função do futuro.
Dedilhando, apenas dedilhando as têias que eram pra ser meu caminho.
Sou aquele que bivaga sobre gases de desejo e lágrimas de Concreto
Sou aquele que jaz na cama da ultra-abstrata fome absoluta
Sou aquele que sempre fica á margem do pleiástico santuário
Sou aquele que carrega sobre o dorso do cérebro inúmeras
Chagas de inépcia
Sou aquele que a monótona verbena perpétua encarcera
Sou aquele cuja estrada é pavimentada pelo vórtice da miragem
Finalmente eu sou aquele que sempre está fadado a interromper
Sua viagem.
Erijo monólitos de mim quando escrevo
Erijo exílios em mim quando escrevo
Erijo céticas catedrais de paz em mim quando escrevo
Erijo no chão de cimento da minha verve
Girassóis do mágico vento quando escrevo.
Faço do silencio interno
A mais fragorosa música quando eu escrevo
Faço da crédula e velhaca ressonância dos
Corais de zagais modernos
Estro para revelar o sabor malsão de seu mel malévolo
Quando escrevo.
Pincelo alcovas para o vácuo dormir comigo
Quando escrevo.
Pincelo AKs-47 para soçobrar os majestosos castelos da demagoga e harpíaca
Eloqüência quando escrevo.
Pincelo uma miríade de pernas sôfregas por cosmopolismo
Quando eu escrevo.
Pincelo heterônimos bidimensionais
Quando escrevo.
Degusto o sol da catarse
Ao pincelar a mim mesmo quando escrevo.
Sou disco bicromático quando escrevo.
Sou relva, revoada e guepardo quando escrevo.
Sou faca cega, lâmina de dois gumes e pedra lascada quando escrevo.
Sou água-viva, letargia e águia quando escrevo.
Sou aquarela sem pais, aquarela sem limiar e aquarela sem medo.
Afinal, quando eu escrevo,
Sou aquarela inerme, aquarela do caos, aquarela indigente:
Sem nome, sem baile, sem lápide, sem brumas ou testamento!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
Já estava escrito que a CIÊNCIA se multiplicaria
Já estava escrito que os HOMENS voariam
Já estava escrito que as ESPÉCIES morreriam
Já estava escrito que as TORRES GÊMEAS cairiam
Já estava escrito que a BOMBA ATÔMICA inventariam
Já estava escrito que uns aos outros se odiariam
Já estava escrito que ao próprio DEUS desprezariam
Já estava escrito que ao DEMÔNIO louvariam
Já estava escrito que muitos de PAVOR desmaiariam
Já estava escrito que o AMOR de quase todos esfriaria
Já estava escrito que a FOME assolaria
Já estava escrito que o HOLOCAUSTO então viria
Já estava escrito que o RESPEITO acabaria
Já estava escrito que as HORAS mais de pressa correriam
Já estava escrito que o DNA descobririam
Já estava escrito que a GENÉTICA evoluiria
Já estava escrito que diariamente os JORNAIS publicariam
Já estava escrito que as BOLSAS DE VALORES faliríam
Já estava escrito que os TERREMOTOS destruiriam
Já estava escrito que a CRISE ECONÔMICA se agravaria
Já estava escrito que a CAMADA DE OZÔNIO romperia
Já estava escrito que a NASA nada faria
Já estava escrito que as PESTES se espalhariam
Já estava escrito que os seres HUMANOS clonariam
Já estava escrito que milhões de FETOS abortariam
Já estava escrito que a NATUREZA poluiríam
Já estava escrito que PAIS e FILHOS se matariam
Já estava escrito que as MÁQUINAS falariam
Já estava escrito que a AIDS surgiria
Já estava escrito que JUDAS a CRISTO trairia
Já estava escrito que PEDRO por três vezes negaria
Já estava escrito que a NOVA ERA nasceria
Já estava escrito que os HOMOSSEXUAIS desfilariam
Já estava escrito que as LÉSBICAS se casariam
Já estava escrito que os SEXOS trocariam
Já estava escrito que ao CRIADOR insultariam
Já estava escrito que a TERRA aqueceria
Já estava escrito que os PÓLOS se inverteriam
Já estava escrito que a INTERNET chegaria
Já estava escrito que um dia JESUS voltaria…
Seduzir o ar com fonemas.
Parir Rosas, Palmas, Pérolas Negras,
Acácias, Esmeraldas, Alfazemas, Açucenas!
Morar eternamente
Na vivenda
Do mais acuidoso Poema!
Inalar o pólen da ausência.
Sentir a ressaca martelar
Pregos de langor e dolência no âmago da cabeça!
Ver o ódio gangrenar:
Confiná-lo,
Para sempre,
No necrotério das maléficas lendas!
Contemplar os oceanos de todas as Américas
E só poder derramar corpulentas lágrimas
Apenas!
Ser poeta,
Ser a água fresca da consciência!
Buscar na vida —
Que continuamente rebenta —
A face serena da majestosa
Maternal Natureza!
Ovacionar diariamente a quem ama.
Tocar obcecadamente Legião Urbana.
Hastear bandeiras do altruísmo e da libertária chama
Contra a peçonha da ganância, da tirania, da intolerância!
Ilusão
Ignora-me por te querer
humilha-me, pois te desejo.
e por pedir um mero beijo
crucifica todo o meu ser.
Mas não pense que sou brinquedo seu
, pois quando você pensar, então,
que estou completamente em sua mão,
será quando terá perdido para sempre
aquilo que jamais lhe pertenceu.
Pedro A. Nicoletti
Teste
testando a poesia
que me carrega dia-a-dia
que me leva e que me guia
testando a poesia
que surge em minha mente
que aparece derepente
mas as vezes se esvazia
e nesse testar constante
busco aquela palavra
que mesmo calada
se mostra gritante
Pedro A. Nicoletti
DESEJOS !
O homem sente desejos,
Como o físico deseja alimento.
Os desejos do homem são vários,
Desejos da carne,
Desejos da alma,
Desejos do coração.
Os desejos do homem,
São expressos de várias formas.
Desejos nos pensamentos,
Desejos nas palavras,
Desejos nas atitudes,
Desejos incompreensíveis.
Os desejos do homem,
Provocam questionamentos ,
Provocam insatisfações,
Provocam visões,
Provocam arrependimentos.
Os desejos do homem,
Dão muitos frutos.
Frutos de alegria,
Frutos de tristeza,
Frutos de sabedoria,
Frutos de incerteza,
Frutos de esperança.
Os desejos do homem,
Quando são realizados,
Podem ser árvore de vida,
Podem valer mais que ouro,
Podem produzir satisfação,
Podem ser a salvação,
Podem ser a perdição.
Sonda-me, ó Deus,
Conhece os meus desejos.
Prova-me, e conhece os meus pensamentos,
Guia-me pelos teus caminhos.
Mprado.
minha velhice confortavel
Porque essa tristeza nos corações?
E essa frieza nas suas ações?
O mundo não poderia ser feliz?
Gostaria que tudo fosse facil…
Queria em todas as bocas sorrisos
Em todos os braços bons abraços
Em todos os corações uma frase:
EU TE AMO!!!
Quero chegar a minha velhice
Com histórias pra contar,
Mas histórias felizes
E não histórias para chorar
Histórias que passei com amigos
Histórias para “ficar na História”
E quando eu acabar num azilo
Por favor me deixem isso pelo menos a contar!!
Inveja
Não dá… preciso desabafar…
posso até morrer
se mais um pouco aguentar
pois nessa inveja não dá pra viver
da vontade de sumir
e nesse mundo
não mais exixtir
é como descer num poço imundo
e muito fundo
cheio de ódio e amargura
tento esquecer
o que no mundo há de ruim
mas não dá
não dá para viver enganando a mim mesmo…
Leandro R. da Costa
UM SONETO PROIBIDO PARA BRUNA SURFISTINHA
Ah… maldito esse pudor que me censura!
Quanto eu quis ao menos te manter presente…
Mas me priva a realidade que consente
De beber tuas lágrimas de loucura.
Só queria, nem que fosse virtualmente,
Nesses versos débeis e sem compostura,
Tão somente uma gotinha de aventura
Em minh’alma, de tão certa, deprimente.
À distância, mil distâncias entre nós,
Desejei sentir tuas curvas tão sinceras.
Mas teu âmago veio lhe pedir a conta…
Fantasia, realidade, quem de vós:
Qual prazer e gozo a mim serão quimeras
Pra essa vida que tanto nos desaponta?
Daniel Damasio
Amante do mesmo sexo
Rasgou-se a mágoa e a dor
De ser quem não podia
E agora que te pedi calor
Apagou-se a trémula luz do dia
Queria apenas uma retribuição
Queria apenas algo que m’enchesse
Mas perdi-te da vista, entre a escuridão
Deixando que essa luz se desvanecesse
Procurei-te nos portões entreabertos
Procurei-te nas covas onde se enterram as panóplias
Mas foste levado para algures entre os ventos incertos
Onde só se vêm glorificados os hipócritas
Soa a brisa arrepiante
Que me trespassa as costas
Toque, Musa, e cante
Enquanto eu…
Me afundo onde não há respostas
Mas que raio sou eu
Metida no meio deste nada?
Este amor que em mim se ergueu
Pelo que vejo, só serve para ser condenada!
Escrevo ao ritmo dos violinos atiçados
Onde quase se ouve o sangue a cantar
Veias que rebentam em ritmos amaldiçoados
De quem um dia não pôde amar
Disseram-me que se eu tivesse amor para oferecer
Teria o poder divino de me agarrar à vida
Mas nada passou de algo que veio para me apodrecer
Pois quando tentei, cortaram-me as asas logo à partida
Quando se deu a mais bela união das almas
Foi-nos apontado um sentimento de vexo
Olho para o amor e lá fora batem-se as palmas
Por se verem condenados, os amantes do mesmo sexo
Este é o meu Mundo escrito a eito
Onde abertas, vêm-se fechadas as portas,
Um dia disseram-me que Deus escreve direito
Mas eu aqui só vejo palavras tortas!
(Num dia encoberto de nunca mais,
Faço um apelo para que o complexo seja abandonado,
Isto é dedicado a todos os homo e bissexuais
Que ao longo da história, tiveram sempre um dedo apontado!)
Te quero
Eu não quero ser esse verso vazio em partes loucas e sem sentido…
nada mais q uma porçao de letras e cantos perdidos…..
eu quero sentir teus encontrolados passeios e ver-te belo risonho pelo redor uma saudade
anciosa e farceira…..
quero ser tua poesia um punhado de sonhos,
conquistas e rimas…
quero ver-te chegar cançado e trase-lo o esaspero da alegria,
presentia-lo em meus beijos
e beijar-te num intenço e puro sentido (saudade).
Hoje quero apenas e mais nada terte ao meu lado….
numa saudade saciada e uma alegria consumada…
shayane viana
cavalheiro de sonhos
Ora!Direis então navegar nas ternuras e do olhar robar os brilhos mais cobissados pela lua…
De um nome que não a conhece
Nem tão pouco à vê!
Mas tua pele es manta, branda e teus lábios ceda doce
Feita toda pra ceder…
Tú que de nada sabes e buscas saber…
A longa distancia te entrigas sozinha a já penar sofrer!!!?
E agora então tú dizes ver
um cavalheiro de sonhos e fantasia…
Pois vos digo porém:
Que tú pouco ves a realidade enquanto
a ilusão te facinas.
E por ventura dorme ao leito do aurora enquanto o dia
termina…
CORAÇÃO
LEVADO POR ESSE MOMENTO OPORTUNO DE ONDE TIRO FORÇAS PARA PROSSEGUIR POR MEIO DESSE VASTO LUGAR ONDE NADA CRESCE, ONDE SENTIMENTOS NÃO FLORAM NEM MESMO UMA FRAÇÃO; AO NÃO SER CLARO, AQUELA PEQUENA LUZ VINDA DE VOCÊ QUE ESPANDE–SE POR ESSA ESCURIDÃO. VINDO A ATINGIR O MAIS PROFUNDO SENTIMENTO ARMAZENADO EM MEU SER NESSE MOMENTO DE DESVANEIO, ONDE PARECE QUE ESTOU EM UM MUNDO DIFERENTE, REPLETO POR ALGO QUE NÃO CONSIGO DESCREVER. O QUE SERIA ISSO? ALGO QUE AQUECE MEU PEITO DE UMA FORMA INIMAGINAVEL, PARA MIM OU PARA QUALQUER OUTRO SER, OU NÃO; SERIA POSSIVEL OUTROS TEREM SENTIDO O MESMO? SINTO-ME CONFUSO, MAS COM A CERTEZA DE QUE TUDO SÓ TEM UM SIGNIFICADO, UMA DIREÇÃO: VOCÊ.
SEMPRE VOCE A ESTENDER SUAS MÃOS PARA ME RETIRAR DE UM LUGAR QUE NEM MESMO EU CONHEÇO, IMAGINO ENTÃO VOCÊ: DE ONDE SURGE TANTA CORAGEM? SERIA VOCE IMPUSIONADA PELOS MESMOS DESEJOS QUE EU, E ESTANDO AS SOMBRAS DESSE LUGAR AONDE SOMENTE UM RUIDO VINHA A ESCUTAR?
HOJE EU DESCOBRI QUE LUGAR E ESSE QUE SE MANTIA FECHADO NAUM DEIXANDO A LUZ ENTRAR; SEI ESSE, NÃO , NÃO POSSO VIR A CRER MAS SIM. VOCE ME MOSTROU QUE ESSE É O TAL LUGAR QUE TODOS DIZEM SER REPLETO DE FELICIDADE. PORQUE ENTÃO SÓ VIA TRISTEZA, ANGUSTIA E MEDO.
NÃO SEI, MAS APÓS SENTIR O SUAVE TOQUE DE SUAS MÃOS, NÃO VEJO MAIS ISSO. NÃO ME IMPORTA, NÃO QUERO NUNCA MAIS LARGAR SUAS MÃOS QUE ME LEVAM A VIAJAR, ME AFASTAR, A ESPLAINECER TUDO. AGRADEÇO-LHE POR VOCE ME MOSTRAR REALMENTE COMO DEVE SER ESSE LUGAR QUE TODOS CHAMAM DE CORAÇÃO, MAS QUE HOJE CHAMO DE VOCÊ, POIS ESTA REPLETO DESSE SENTIMENTO CHAMADO AMOR, QUE VEIO JUNTO COM VOCÊ. ACOMPANHADO POR ESSA TAL DE ALEGRIA QUE ME DEIXA TÃO BEM, MAS UMA LAGRIMA TENDE A DESCER PELOS MEUS OLHOS PORQUE ME SINTO MUITO BEM. SERIAM ESTAS ENTÃO, LAGRIMAS DE FELICIDADE QUE SURGEM APÓS DESCOBRIR TUDO ISSO AO TEU LADO. OBRIGADO, É O MINIMO QUE CONSIGO DIZER NESSE MOMENTO. CREIO QUE VOCE PODE VER EM MEUS OLHOS, DURANTE ESSA BATALHA COMIGO MESMO, TUDO O EU QUE GOSTARIA DE TE DIZER. MAS ACHO QUE TE AMO DIRIA TUDO QUE SINTO POR TI.
Luz Salvante
-Rara Luz-
Desperta-te neste Infinito ó Fulgor!
Tu tens o sabor étereo do Amor,
Consumido pelo profáno Escuro
Que torna todo Horizonte impuro.
Desperta do âmago imortal do céu
Suprema Luz do mundo e da alma.
Não te guardas neste Leito da Graça
Pois há tristezas debaixo do véu.
Quando tu se esvanece no Intangível
A Escuridão envolve a Alma com cilício,
Condenando-as ao perverso suplício
Das noites clareadas pelo tormento
Do Corpo e da Mente, lúgrubes, gemendo
No Círculo sórdido do Invisível.
Só tiver
Não é tudo
É esquecer de mim
É esquecer do mundo
É um deserto no meio do mar
Seu rumo certo se irei te encontra
Ou muito perto
Ou muito longe
Quero saber onde
Com quem voce anda
Com quem voce vai
Sou apenas a tristeza, e nada mais.
Poema Para a Loira do Banheiro
É você a portadora de alvíssaras
A que vai espalhar a boa nova em meu coração
E me dizer que o amor pode continuar?
É você aquela que com boca de profeta
Vai massagear o meu coração com o calcanhar
E aliviar a minha dor de amar com palavras de felicidade?
É você quem me dirá que o amor vai prosseguir
Quem vai me ensinar a perdoar?
Você me ensinará a escrever respostas?
Então por que sorris pra mim?
Pára mim para Gaus
Já escutei muita música porque elas me diziam muito, como ainda dizem.
Já mudei muito a minha vida por causa de canções.
Tenho em mim vários registros.
A voz da Maria Bethânia é algo que vou levar por toda a eternidade:
Ela me diz.
Escutei de longe, quando teimei em ir embora, ela cantando no salão.
Escuto sempre você me dizendo:
Muda o rumo desta história agora.
E como se eu fosse a pedra num estilingue.
É canção forte.
Você também me diz.
minha vida é demasiada
eis o perfeito adjetivo.
nao preciso de um objetivo
pra continuar minha caminhada.
algo me pertuba
me levanta na madrugada
e me diz para que eu suba
até a noite enluarada
ou a lua enoitada?
ou a noite enlatada?
sim, pois há
noites já preparadas
e há também noites
a serem assadas.
e quem de samba gosta
bom sujeito deve ser
diria até que merece ver
da minha noite uma amostra.
poupá-lo seria mais cabível
pois ceder-lhe tal amostra
é o mesmo que comer bosta
eis o que seria
descer ao meu nível.
em minha mente há f[r]estas.
portanto me despeço
e lhes peço
que não esqueçam destas.
Sou terras sem dono
Sentimento sertânico e armorial permeia meus pensamentos
E sou e estou transeunte, sussurro mancinho aquilo que é doce
E trago na língua plúmbeo projétil de verso
Qual Deméter trago em meus braços, não mais papoulas,
Agora ipoméias de flores azuis.
Não faço pirraça nem busco luxúria
Se não fora rebelde seria ortodoxo
Mas trago muito mais em mim que apenas versos e cigarros
Trago manhãs de sacra ode
Trago o trinado das primeiras cordas e o bramir das últimas
Represento a busca, como meus escritos sou pegadas gravadas
Indelével perfume de aurora sertaneja
E meus olhos se perdem contemplando meus reinados
Não sou dono de terras, mas sou terras sem dono
E meus castelos são de muros cactáceos
Meu brasão possui a insígnia dos cantadores,
Pois sou bardo de meu povo e crente nas coisas mágicas
As que posso ver, as que posso ouvir e as que posso sentir
Eu sou um não ao avesso
Ouçam minha música
Ouçam minha música… E não esperem de mim sofrejos; não esperem de mim andrajos… Ou desculpas ou pudor.
Ouçam minha música e não esperem atitudes que não sejam minhas; não esperem de mim modelo, não esperem de mim mentiras.
Ouçam minha música… E não esperem ou cobre de mim a música; não esperem de mim o verso ou o inverso.
Leiam meus escritos… E não esperem de mim os ditos, nem os mitos; não esperem de mim favores… Não esperem de mim rancores, pois não os tenho.
Não esperem de mim desdém, ou ênfase.
Ouçam minha música, leiam meus escritos… Não esperem o que não sou; não quebrem ou cobrem, não invertam nem submetam; não ponham palavras nos meus escritos, nem frases em minha música.
Apenas ouçam minha música, leiam meus escritos; aproveitem o que digo e enquanto eu digo; se divirtam com meus erros e acertos… Mas não espere de mim padrão! Não esperem hegemonia!
Não me culpem ou cacem! Ouçam minha música, leiam meus escritos, é lá que sou e estou…
Não me submeto nem me sub-omito…
Leiam minha música… Ouçam meus escritos.
_______________________________________
_______________________________________
Cabe pois ao poeta
(Á Gregório de Mattos)
Cabe, pois ao poeta, a resignação!
Bem aventurado o que nega o ópio, ainda que sua presença seja uma constante!
Ah! Discípulos de Lorde Byron!
Transeuntes da polêmica!
Incestuosos avatares da divina arte!
Sabeis que vossos versos são ouvidos! Mártires da vanguarda!
Masturbando a digníssima decência com estrofes libertinas de desapego!
Circundo as esferas da luxúria calmo e imponente!
Lanço versos ao espaço crendo, pois que sou qual Deus! Navegando na eternidade de minha individualidade!
E a majestosa nobreza? Coitada!
Tão desamparada frente a esses depravados sacerdotes da palavra!
A eles causa repugnância nossos cortejos eternos!
Nossos cósmicos adultérios e nossa sede de desejos!
Dai-nos absinto! Ayahuasca!
Encha-nos com o vinho orgásmico da pisilocibina!
Pois somos nós os descendentes dos Deuses e Deusas dos nossos ancestrais!
Mas hoje?! Frente ao caos, antes por nós profetizado…
Cabe tão somente ao poeta a resignação.
________________________________________
________________________________________
O verso lançado ao poço
Agora que a colheita torna-se severa;
e a mais pura alegria jaz entre os mundos.
Sou como o vento soprando alto nos Pirineus
Tal qual a brisa que não é notada por entre os sertões
O mar é silêncio e melancolia, suas ondas revertem em som a quietude de outrora.
Sílabas… Odes…
A matéria cria formas e o inenarrável se reflete em luz, a emoção se funde em letras… Não desejei tal fardo de sonhos!
Jamais busquei a comodidade da dependência.
Agora sou como a Dríade que chora a morte da árvore… Como o céu em espasmos elétricos… Como a terra em convulsões vulcânicas… Como martelo e foice sem campo ou área.
A serenidade não é autêntica… É luto.
A lágrima é grito.
Não obstante, sou o palco vazio das minhas algemas dolorosas; sou o chão frio e seco das minhas esperanças, sou a impossibilidade do recomeço… A frustração do tenor… e o verso lançado ao poço.
_______________________________________________
_______________________________________________
À Bram Stocker
Quão maravilhoso me parece ser amado pela morte!
Vagar pela noite sem fitar a luz do dia, bebendo sem agonia o sangue puro das consortes!
Tendo ainda a magia da beleza imortal! Sendo um ser transcendental que ao tempo desafia!
Quão maravilhosos me parecem estes olhos que não perecem! De um vermelho tão profundo, sendo ainda um ser imundo e se escondendo num caixão?!
Cruzes mal algum lhe fazem! Isso tudo é bobagem de um irlandês demente! Até diria indecente como o toque da tua mão.
Vampiro é teu nome! Quente como a chama que consome a vela no altar; fazendo-me até chorar de ódio, amor ou medo; por conter este segredo da tua simples existência; que o homem por tendência teima em não acreditar.
Hoje em dia desconfio se te amo ou desafio, se te odeio ou te ignoro ou se apenas eu imploro que a tua existência não passe só de lenda nem de fruto do ilusório…
Pois me digam meus amigos… Como é que eu me inspiro… sem a história de um Vampiro?!
__________________________________________________
__________________________________________________
Lobo Raizana
(Á Confreira Mariana Chagas)
Deixe-me voar, deixe que minhas asas cresçam.
Quero percorrer o céu noturno com estrelas de vidro, pois vibro.
Vivo a viver a vida no segundo, oportuno ou não.
Deixe-me beijar a face púrpura da lua ao nascer; descender do lobo solitário perdido da matilha, lobo Raizana, atendendo ao chamado do velho Apache.
Deixe-me descer ao mundo profundo dos xamãs! Sioux, Navajo, Tapuias… Yanomamis… Viver você.
Não cortem minhas asas de coruja, para que eu possa voar na alvorada dos sonhos, nos oceanos glaciais… Nos mares licérgicos e mescalinos.
Deixe-me amar o lobo Raizana e agarrado em seus pêlos atravessar o portal da ayahuasca.
__________________________________________________
__________________________________________________
Passional Vestália
(Á Allegra Pitombo)
Aceito de ti o vinho que me ofereces…
Ainda que eu não saiba se o me dará todo.
Aceito de ti o beijo que me deflagras…
Ainda que o desejo ultrapasse o corpo.
Aceito a tua fogueira que queima a alma…
Ainda que eu saiba ser imortal.
Aceito a divindade do teu olhar de calma…
Ainda por perceber a conjunção fatal.
Percebo ainda o crepúsculo frio, rasgando o véu do dia qual herdeiro de trovas.
Aceito de ti, o acorde inicial…
Ainda por saber compor a melodia de Eros.
Aceito tua pronúncia do que é real…
Ainda por termos a sorte de não sermos cegos.
Aceito de ti a dança em passional Vestália…
Ainda por ser pagão como vossa essência.
Aceito de ti Allegra, o instintivo aval…
Ainda que me sobressalte o peito em lágrima.
Se o vinho que tu me destes, for apenas para sentir o sabor…
Afasta de mim o cálice deste veneno encantador.
Mas se o vinho que tu me destes, for para deleite da existência, prometo sorver a taça… E me embriagar com sua essência.
____________________________________________
____________________________________________
Quisera eu, poeta.
Quisera eu, poeta, lograr êxito nos meus sonhos estapafúrdios…
Ainda que os mesmos possuam valores tão confusos e ainda assim querer amar!
Vá poeta! Procure nas noites de sua eterna boemia, o amor que lhe cabe em esta vida de melancolia e descubra poeta, a essência do teu sonhar!
Procurei em bares e ruas uma mulher que me quisesse, que trouxesse ou que pudesse me fazer amar o amor…
Não achei, pois me chamam louco, este mero poeta torto, o que fazer se sou um ator?!
Hoje, estou sozinho, ou melhor… estou poeta!
Esperando qual profeta minha morte prematura; sem sangue ou carne crua… a solidão que me acerca.
Não sei se louco, se bruxo, se hippie cabeludo ou simples trovador…
Sei que estou sozinho…
Ou melhor…
Estou poeta em busca brusca do amor.
______________________________________________
______________________________________________
Jurema
Eu fui buscar no mato, a casca da jurema pro pajé fazer o chá. Pedi água pra Iara, pedi folhas pra Jarina, pedi asas pra Jandaia, mergulhei com Janaína…
Acendi fumo de corda com semente de Umburana, eu dancei com Pachamama velha dança no Toré. Perimbó e Deus Tupã, pensamentos delirantes, a Jandira e o Massato fazem parte do pajé…
Sou Tapuia, sou Xavante, sou guerreiro Yanomami, Tupinambá ou Cariri, sou Pataxó ou Guarani! Sou do povo Caiapó, eu sou índio Tapajó, com jenipapo e urucum no meio do Ouricuri…
Eu fui buscar no mato o cipó do Mariri, nas terras de Muyrakitan encontrei a luz de Yaci. Na cabaça botei água dancei a dança da águia fui na busca da visão e avistei a Juriti…
O passarinho me falou que o pajé já terminou, a Jurema foi fervida e o chá cura ferida e também mostra o interior… Sou Ocá, sou Funi-ô, curandeiro e caçador… Meu colar de pena branca…
Estou eu… apenas dedilhando as têias da vida…
Correndo o risco de ser capiturada e fatalmente vir a viver!
Estou dedilhando as têias da vida me procurando caminhos… achando respostas.
Protelando o agora em função do futuro.
Dedilhando, apenas dedilhando as têias que eram pra ser meu caminho.
ESCRIBIR EN CIELO DE AMARGURA
Sou aquele que bivaga sobre gases de desejo e lágrimas de Concreto
Sou aquele que jaz na cama da ultra-abstrata fome absoluta
Sou aquele que sempre fica á margem do pleiástico santuário
Sou aquele que carrega sobre o dorso do cérebro inúmeras
Chagas de inépcia
Sou aquele que a monótona verbena perpétua encarcera
Sou aquele cuja estrada é pavimentada pelo vórtice da miragem
Finalmente eu sou aquele que sempre está fadado a interromper
Sua viagem.
AQUARELAS DE MIM
Erijo monólitos de mim quando escrevo
Erijo exílios em mim quando escrevo
Erijo céticas catedrais de paz em mim quando escrevo
Erijo no chão de cimento da minha verve
Girassóis do mágico vento quando escrevo.
Faço do silencio interno
A mais fragorosa música quando eu escrevo
Faço da crédula e velhaca ressonância dos
Corais de zagais modernos
Estro para revelar o sabor malsão de seu mel malévolo
Quando escrevo.
Pincelo alcovas para o vácuo dormir comigo
Quando escrevo.
Pincelo AKs-47 para soçobrar os majestosos castelos da demagoga e harpíaca
Eloqüência quando escrevo.
Pincelo uma miríade de pernas sôfregas por cosmopolismo
Quando eu escrevo.
Pincelo heterônimos bidimensionais
Quando escrevo.
Degusto o sol da catarse
Ao pincelar a mim mesmo quando escrevo.
Sou disco bicromático quando escrevo.
Sou relva, revoada e guepardo quando escrevo.
Sou faca cega, lâmina de dois gumes e pedra lascada quando escrevo.
Sou água-viva, letargia e águia quando escrevo.
Sou aquarela sem pais, aquarela sem limiar e aquarela sem medo.
Afinal, quando eu escrevo,
Sou aquarela inerme, aquarela do caos, aquarela indigente:
Sem nome, sem baile, sem lápide, sem brumas ou testamento!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
Já estava escrito que a CIÊNCIA se multiplicaria
Já estava escrito que os HOMENS voariam
Já estava escrito que as ESPÉCIES morreriam
Já estava escrito que as TORRES GÊMEAS cairiam
Já estava escrito que a BOMBA ATÔMICA inventariam
Já estava escrito que uns aos outros se odiariam
Já estava escrito que ao próprio DEUS desprezariam
Já estava escrito que ao DEMÔNIO louvariam
Já estava escrito que muitos de PAVOR desmaiariam
Já estava escrito que o AMOR de quase todos esfriaria
Já estava escrito que a FOME assolaria
Já estava escrito que o HOLOCAUSTO então viria
Já estava escrito que o RESPEITO acabaria
Já estava escrito que as HORAS mais de pressa correriam
Já estava escrito que o DNA descobririam
Já estava escrito que a GENÉTICA evoluiria
Já estava escrito que diariamente os JORNAIS publicariam
Já estava escrito que as BOLSAS DE VALORES faliríam
Já estava escrito que os TERREMOTOS destruiriam
Já estava escrito que a CRISE ECONÔMICA se agravaria
Já estava escrito que a CAMADA DE OZÔNIO romperia
Já estava escrito que a NASA nada faria
Já estava escrito que as PESTES se espalhariam
Já estava escrito que os seres HUMANOS clonariam
Já estava escrito que milhões de FETOS abortariam
Já estava escrito que a NATUREZA poluiríam
Já estava escrito que PAIS e FILHOS se matariam
Já estava escrito que as MÁQUINAS falariam
Já estava escrito que a AIDS surgiria
Já estava escrito que JUDAS a CRISTO trairia
Já estava escrito que PEDRO por três vezes negaria
Já estava escrito que a NOVA ERA nasceria
Já estava escrito que os HOMOSSEXUAIS desfilariam
Já estava escrito que as LÉSBICAS se casariam
Já estava escrito que os SEXOS trocariam
Já estava escrito que ao CRIADOR insultariam
Já estava escrito que a TERRA aqueceria
Já estava escrito que os PÓLOS se inverteriam
Já estava escrito que a INTERNET chegaria
Já estava escrito que um dia JESUS voltaria…
“Já estava escrito”
“Já estava escrito”…
até mesmo este POEMA foi predito
junior_silva_739@hotmail.com
© JUNIOR OMNI – 2008
_____________________________________________________
O ECLIPSE
1º SICLO
A PESTE ERRADICOU-SE
A VESTE RASGOU-SE
O VIDRO QUEBROU-SE
E NADA RESTOU!
2º SICLO
UM ECLIPSE LUNAR FORMOU-SE
O APOCALIPSE DESVENDOU-SE
O TEMPO LOGO ABREVIOU-SE
A HORA CHEGOU!
3º SICLO
A ESPINHA DORSAL DOBROU-SE
O VALENTE COM MEDO HUMILHOU-SE
E TODO HOMEM VIL PROSTROU-SE
O JUÍZO FINAL COMEÇOU!
“O CÉU ESCURECEU…”.
JUNIOR_SILVA_739@HOTMAIL.COM
© JUNIOR OMNI – 2008
_____________________________________________________
DECADÊNCIA
A HUMANIDADE EM DECLÍNIO MORAL
O AMOR CIBERNÉTICO
O ACORDO DE PAZ MUNDIAL
O ÓDIO MAGNÉTICO
AS MODERNAS CONQUISTAS
O AVANÇO CIENTÍFICO
ATENTADOS TERRORISTAS
UM CENÁRIO APOCALÍPTICO
GUERRAS RELIGIOSAS
TRISTEZA E DESESPERO
TRANSAÇÕES PERIGOSAS
POBREZA E AMBIÇÃO PELO DINHEIRO
O SEXO LIVRE NAS ESQUINAS
A CÉU ABERTO PARA QUEM QUISER
MENINOS E TAMBÉM MENINAS
PRONTOS PARA O QUE DER E VIER
PEDÓFILOS ASSASSINOS
PROFESSANDO UM CRISTIANISMO IMPURO
MOLESTANDO AOS POBRES PEQUENINOS
ATRÁS DA CRUZ, NUM CANTO ESCURO.
FREIRAS E MADRES HOSTÍS
ABORTANDO MILHARES DE FETOS
CORTANDO-OS SEM DEIXAR RAIZ
ENTERRANDO-OS NUM LUGAR SECRETO
LÁ FORA A CRISE FINANCEIRA
O MEDO DA TERCEIRA GUERRA
A ONU INVENTANDO BESTEIRAS
ENGANANDO AS NAÇÕES DESTA TERRA
A NASA E AS PESQUISAS NO ESPAÇO
GASTANDO BILHÕES E BILHÕES EM VÃO
ENQUANTO AQUI OS RECURSOS SÃO ESCASSOS
TRABALHO ESCRAVO EM TROCA DE PÃO
BEM VINDO Á ERA DA DECADÊNCIA
VEJA O MUNDO E SUAS DEFICIÊNCIAS
ACREDITE, FOI O AVANÇO DA CIÊNCIA.
QUE ENLOUQUECEU O HOMEM
E ROUBOU-LHE A CONSCIÊNCIA!
JUNIOR_SILVA_739@HOTMAIL.COM
© JUNIOR OMNI – 2008.
QUERERES POÉTICOS
Seduzir o ar com fonemas.
Parir Rosas, Palmas, Pérolas Negras,
Acácias, Esmeraldas, Alfazemas, Açucenas!
Morar eternamente
Na vivenda
Do mais acuidoso Poema!
Inalar o pólen da ausência.
Sentir a ressaca martelar
Pregos de langor e dolência no âmago da cabeça!
Ver o ódio gangrenar:
Confiná-lo,
Para sempre,
No necrotério das maléficas lendas!
Contemplar os oceanos de todas as Américas
E só poder derramar corpulentas lágrimas
Apenas!
Ser poeta,
Ser a água fresca da consciência!
Buscar na vida —
Que continuamente rebenta —
A face serena da majestosa
Maternal Natureza!
Ovacionar diariamente a quem ama.
Tocar obcecadamente Legião Urbana.
Hastear bandeiras do altruísmo e da libertária chama
Contra a peçonha da ganância, da tirania, da intolerância!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
• http://twitter.com/jessebarbosa27