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Cruz e Sousa (1862 – 1898)

maio 22, 2007

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João da Cruz e Souza nasceu em 21 de novembro de 1861 em Desterro, hoje Florianópolis, Santa Catarina. Seu pai e sua mãe, negros puros, eram escravos alforriados pelo marechal Guilherme Xavier de Sousa. Ao que tudo indica o marechal gostava muito dessa família pois o menino João da Cruz recebeu, além de educação refinada, adquirida no Liceu Provincial de Santa Catarina, o sobrenome Sousa.

Apesar de toda essa proteção, Cruz e Souza sofreu muito com o preconceito racial.Cruz e Souza morreu em 19 de março de 1898 na cidade mineira de Sítio, vítima de tuberculose. Suas únicas obras publicadas em vida foram Missal e Broquéis.

Cruz e Souza , sem sombra de dúvidas, o mais importante poeta Simbolista brasileiro, chegando a ser considerado também um dos maiores representantes dessa escola no mundo. Muitos críticos chegam a afirmar que se não fosse a sua presença, a estética Simbolista não teria existido no Brasil. Sua obra apresenta diversidade e riqueza.

De um lado, encontram-se aspectos noturnos, herdados do Romantismo como por exemplo o culto da noite, certo satanismo, pessimismo, angústia, morte, etc. Já de outro, percebe-se uma certa preocupação formal, como o gosto pelo soneto, o uso de vocábulos refinados, a forma das imagens etc. Em relação a sua obra, pode-se dizer ainda que ela tem um caráter evolutivo, pois trata de temas até certo ponto pessoais como por exemplo o sofrimento do negro e evolui para a angústia do ser humano.

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A Música da Morte

maio 22, 2007

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A Música da Morte
 
A Música da Morte, a nebulosa,
estranha, imensa musica sombria,
passa a tremer pela minh’alma e fria
gela, fica a tremer, maravilhosa…
 
Onda nervosa e atroz, onda nervosa,
letes sinistro e torvo da agonia,
recresce a lanciante sinfonia,
sobe, numa volúpia dolorosa…
 
Sobe, recresce, tumultuando e amarga,
tremensa, absurda, imponderada e larga,
de pavores e trevas alucina…
 
E alucinando e em trevas delirando,
como um ópio letal, vertiginando,
os meus nervos, letárgica, fascina…
 
Cruz e Souza
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O Rei dos Elfos (Erlkönig)

maio 21, 2007
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Quem cavalga tão depressa através da noite e do vento?
O cavaleiro é um pai com o seu filho;
Leva o menino bem abraçado,
Segura-o com firmeza, mantendo-o agasalhado.
Meu filho, porque escondes tanto essa carinha?
Não vês tu, papai, o Rei dos Elfos,
com a coroa e o manto?
Meu filho, é apenas uma réstia de névoa.
 
Meu querido menino, vem comigo! Ah, vem comigo! Vens?
Brincarei contigo jogos bem divertidos;
Na margem tem muitas flores coloridas,
Minha mãe tem para ti muitos vestidos dourados.
Papai, Papai, tu não ouves
o que o Rei dos Elfos me promete baixinho?
Sossega, meu filho, fica sossegado:
É o vento que murmura nas folhas secas.
 
Queres vir comigo, meu bom rapaz?
Tenho filhas que tomarão bem conta de ti,
As minhas filhas conduzem as danças noturnas,
E assim te embalarão, a dançar e a cantar.
Papai, Papai, não vês
as filhas do Rei dos Elfos além, na escuridão?
Meu filho, meu filho, o que em torno se passa
É o brilho pardo dos salgueiros velhos.
 
Gosto de ti, dessa linda figura,
E se não vieres a bem, levo-te à força.
Papai, Papai, o Rei prendeu-me agora!
Ai! Quanto me magoou o Rei dos Elfos!
O pai assusta-se, cavalga velozmente,
Segura nos braços o filho que geme,
Chega a sua casa, cansado e apressado.
Nos seus braços vai já morto o menino.
 
Goethe
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Johann Wolfgang von Goethe

maio 21, 2007

Johann Wolfgang von Goethe

Johann Wolfgang von Goethe, nasceu em 28 de agosto de 1749 em Frankfurt am Main (sobre o rio Meno), Alemanha, e faleceu em março de 1832, aos 82 anos, em Weimar. O pai, conselheiro da corte de Frederico II (1712-1786), era homem austero e culto, entusiasmado pela ciência e amante das artes. A mãe, vinte anos mais jovem que o marido, era pessoa alegre e disposta e tinha especial talento para contar estórias. Wolfgang dirá anos mais tarde que herdou do pai “a conduta séria da vida” e, da mãe, “a natureza alegre e o gosto de narrar”.

Em 1774, escreve a obra pré-romântica Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), que termina com o suicídio do personagem principal. O grande sucesso do livro na Europa o torna conhecido mundialmente.

Em 1784, descobre o “intermaxillare”, osso do corpo humano desconhecido pelos anatomistas, e elabora teses que antecipam a Teoria Darwinista. Em 1786, vai a Roma, onde transforma em versos a tragédia grega Ifigênia em Táuride (1787). Escreve cenas de Fausto, obra do romantismo, que começa em 1774 e só conclui em 1830. Com Fausto, que vende a alma ao diabo em troca de saber e bens, faz uma metáfora da vida humana.

22 de março de 1832. Goethe está sentado na poltrona, ao lado da cama. Seu estado de saúde havia piorado nos últimos dias, por causa de um resfriado. Começa a amanhecer, mas o quarto ainda está escuro. Goethe respira com dificuldade. Faz um sinal ao criado, como se estivesse pedindo algo. O criado aproxima-se e ouve as últimas palavras pronunciadas por entre espasmo: “Abram a janela do quarto, para que entre mais luz”.

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Aos Leitores Amigos

maio 21, 2007

Poetas não podem calar-se,
Querem às turbas mostrar-se.
Há de haver louvores, censuras!
Quem vai confessar-se em prosa?
Mas abrimo-nos sob rosa
No calmo bosque das musas.

Quanto errei, quanto vivi,
Quanto aspirei e sofri,
Só flores num ramo — aí estão;
E a velhice e a juventude,
E o erro e a virtude
Ficam bem numa canção.

Johann Wolfgang von Goethe

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Volvendo

maio 20, 2007
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Volvendo…
retornando ao lar
mergulhando novamente
nesse imenso mar
de poesia inerente
e reencontrando velhos sentimentos
que pareciam jamais se salientar
realmente…
 
Nikos
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Engano

maio 20, 2007
 
Creio que se engana
Ao dizer que minha gana
Por seus beijos é apenas
Como chama
Que a palha inflama
 
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Creio que se engana
Quando dizes que minto,
Por que o amor que sinto
Com o tempo não fana
 
Creio que se engana
Ao dizer que a dor
Por sua ausência
É apenas impertinência,
Quando só você me sana