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Sejam bem vindos!

Este é um blog para aqueles cuja alma inquieta busca a poesia em todos os cantos. Para aqueles que fazem da poesia uma maneira de expressar sua visão do eu e do mundo…

Portanto sejam bem vindos!

Aqui onde se entram os poetas do presente e do passado…conhecidos e desconhecidos…e também você que quer divulgar a sua poesia…

14 comentários

  1. SÍLABAS DE ESCOMBROS

    Miséria ano após ano anulando-nos:
    Ria, mira;
    Séria, mera;
    P-MISERANDOS!

    Indústria que se enriquece ao sol dos filhos da magna carência:
    Dura, instrua;
    Esquecer, doer, durma;
    Lufada de ar frio que a estrela ígnea não esquenta nunca.
    Fugaz oceano de alegria e rio eterno de tristeza que nos cala:
    Radiosa face, fome, falta;
    Esmola-Escola-Anuência-Máquina;
    Sem-Terra, Sem-Teto, Sem-Aurora, Sem-Nada;
    MAR-DE-GENTE-TRISTONHA-NO-JARDIM-E-EM-CASA!

    Carcomida casta que lavra a seara de Garanhuns:
    Carmo, caco, cava, cova;
    Manada que acorda com os galos ao nascer d’aurora.
    Comida comendo nenhuma coisa que se valha:
    Que come mesmo é nada!

    Glebas, Sáfaras, Estilhaços, Estrados, Pratos, Agros, Labuta;
    Grilhões, Gritos, Cactos, estertores, ultrajes, loucura;
    Grilhões, Luares, Sonhos, Fé, Romeiros, Procura;
    Grilhões, Sertões, Profusa água esconsa, Miraculosa chuva;
    Grilhões, Sorrisos rurais, Sofreres faciais, Perpétua luta!
    Sim, é a Seca que molda, marca, mata, enxovalha, flagela, Inunda…
    Sim, é a Seca que se faz a edaz comensal, a insaciável vampira,
    A carnívora planta…
    Sim, é a Seca, é aquela com a qual se lucra…
    Sim, é a Seca quem fala, quem manda e desmanda…
    Sim, é a Seca que se quer:
    Quer que se traduza. Traduza-a em disformes caminhos e Estradas. Traduza-a em disformes frases, orações e
    Sintaxes. Traduza-a em plenos coloquialismos, línguas
    Semi-padrões, a forma culta!
    Finalmente, traduza-a na intradução da tenacidade
    Destas pessoas que, ao lançar seus olhos ao céu,
    Sempre vêem um arco-íris dar-lhes em retribuição
    Uma gargalhada de esperança que semeie aquele
    Antigo provérbio no ressequido chão e
    Diga a estes que dias melhores certamente virão.


  2. COMPANHEIRA ESPECTRAL

    1

    Alguém me segue durante o percurso do caminho
    Alguém que sob a égide da intangibilidade me acompanha
    Alguém que agora eu percebo: sempre caminha a meu lado.

    2
    Alguém que, porquanto não veja,
    Está sempre ali a repartir as agruras da viagem.
    Viagem salpicada de escassas alegrias caras
    E da rotina de vales de lágrimas.
    3

    Alguém que me faz querer o diálogo
    Alguém que me faz querer degustar o diálogo
    Alguém que me faz amar o diálogo
    Alguém que dialoga comigo calado.

    4

    Alguém que sempre soube quem era
    Alguém que sempre soube ser ela
    Alguém que comigo segue, deixando-me aprisionar em sua cela!


  3. DE VOLTA A SEU CATIVEIRO

    Se pudesse, contemplaria
    novamente aquela alva face da hipocrisia,
    indagar-lhe-ia se já está a sentir
    o eco lancinante do remorso pelos delitos perpetrados
    que afloram e grassam vivazmente em seu jardim
    de sentimentos sepultados.

    Ah, se houvesse ensejo,
    questioná-la-ia a respeito do seu rincão íntimo:
    lugar onde despeja as razões e a causa que forjam seu estilo:
    suas mágoas, frustrações, a célula malsã
    que cancerara o seu personal organismo.

    Sim, desnudá-la-ia, se condição tivesse,
    até a última camada
    para saber finalmente quem você é de verdade.
    Então, observaria o desespero
    brotar do seu semblante não mais altaneiro,
    porque sua pessoa saberia que eu penetrei o seu eu:
    sim, que desvendei seu infame segredo.

    http://www.escritacriativa.com. (camaleãodapoesia)
    http://www.luso-poemas.net
    http://www.usinadaspalavras.com/


  4. OTROS OJOS

    Corpos primários, recônditos na minha neblina do olvido,
    Guiem-me. Guiem-me até a porta onde ela,
    Opaca madeira morta,
    Reside.

    Mostrem-me a reflexão da luz
    —- que incidida —-
    Revela. Revela a vivacidade
    De uma visão, desde então,
    Imota,
    Cega!

    Ella ontem: Jovem Jóia Turmalina;
    Antes, antes mesmo de Turmalina,
    Era Esmeralda. Esmeralda, Verde,
    De um verde que deveras fascina, açaima,
    Cintila.
    E que, num tempo tão recente,
    Ainda intensamente em minha mente refulgia.

    Porém, hoje, o lago de inebriamento e enlevo
    Evolou-se: volatilizando-se sua rainha.
    Rainha do meu lago. Lago-Pensamento
    Onde era Ondina. Ondina que se obliterou:
    Caiu-me no esquecimento da cerebral retina.

    Mas, assim, subitamente,
    Uma palavra, o empuxo da recordação:
    Recordação que a emergiu:
    Emergiu como uma saudade morna,
    Que se sente e se evapora.
    Saudade que se sente
    Quando alguém,
    Há muito, partiu. Ah, foi-se embora.
    JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
    http://www.escritacriativa.com. (camaleãodapoesia)
    http://www.luso-poemas.net


  5. EL DOLOR MIO

    O cão e o larápio.
    A dor é como a mordedura do primeiro:
    sim, reverberando o estertor do seu lacerar o tempo inteiro.
    No segundo, intermitente e furtiva,
    justamente porque de tempos em tempos
    faz ressoar a lembrança da têmpera da ferida.
    Sem sombra de dúvidas, esta é a mais pungentemente corrosiva
    pois foge e não comunica sua vinda!
    O cão e o gatuno.
    Tempestade, monção e ciclone:
    daninhos todos tais fenômenos.
    Sejam eles na forma da porrada da socapa da brisa…
    Sejam eles o afago áspero da lhaneza ígnea…
    Sejam eles a encarnação da faca cortante
    que é o amargor da decepção com a sua gente querida!
    O cão e o ladrão.
    Ouço o bramar do martelo da mordida
    penetrar fundo nos tímpanos do meu coração.
    Eu sei ser você, dor minha,
    o vácuo a esgarçar balsamicamente minha alegria.
    Eu sei ser você, dor minha,
    a senhora de cada instante, minuto, hora da minha vivência
    desinxabida.
    Eis você, dor minha,
    a bruma da solidão a me envolver masoquisticamente
    em sua teia gasosa de fluidos misantrópicos
    que deitam na dinâmica e erosiva vastidão etérea
    de todos os enigmáticos dias.
    Eis como é você, onipresente ausência diária.
    Eis como é você, macabro e tenro tormento diário.
    Eis como é a minha agonia, suponho, vitalícia.
    Eis A DOR MINHA, tsunami de tristeza
    qual flui e reflui continuamente no esteio
    das infinitas galáxias de meu anonimato!
    http://www.usinadaspalavras.com/
    http://www.luso-poemas.net


  6. A ERA DOS OUROPÉIS VERMELHOS

    Os Tucanos voam tomados pela profundidade de um anseio
    Os Tucanos voam querendo alcançar o estelar horizonte vermelho
    Os Tucanos voam encantados com a expansão da astral vacuidade
    Ruiva Pairando Sobre O Cosmo Inteiro

    Os Tucanos voam sob a tutela da têmpera de um sonho
    Os Tucanos voam desejando transformar tal sonho em realidade
    Os Tucanos sonham nos ares comutar seu mundo num mundo de
    Universal Privacidade

    Os Tucanos voam sabendo que este sonho sofre de uma limitação
    Os Tucanos voam conscientes de que, para realizá-lo, devem sujei
    tá-lo:
    sujeitá-

    lo a uma amarga condição
    Os Tucanos voam sabendo ser preciso apostar na glória da nuança
    Escarlate Duma Solitária Constelação

    Os Tucanos voam a enxergar nesta gama de estrelas sua vitória
    Os Tucanos voam vislumbrando nela o sumo píncaro da glória
    Os Tucanos vêem na Solitária Estrela Rubra sua mais querida
    Venturosa Desventura

    http://www.luso-poemas.net


  7. Parabêns pelo site, só material de primeira qualidade. Quem quiser, dê uma olhadinha aqui também… http://www.palavrasperdidas.com.br


  8. PENUMBRA DA VIOLÊNCIA

    Eles dizem que os habitantes da senzala contemporânea
    Não são merecedores da diafaneidade da revolta,
    Mesmo quando vêem o apagar abominável de sua flama
    Já tão esmaecida pela vida miseravelmente cotidiana

    Como se a centelha de um arquiteto popular de casas
    Não tivesse a mesma têmpera que a de um menestrel, que platéias
    Arrebata, através da lírica soprada por densa flauta de fragas

    Como se aquela que levanta sob o afago dissaboroso
    Do céu da alvorada, para depurar os castelos urbanos,
    Não se irmanasse em importância aos catadores de lixo Cibernético, que limpam as cybercidades,
    Onde alguns poucos de nós habitamos mentecaptos e tão Crédulos de nossa superioridade!

    Eles, pescadores de achismos e filhos do estamental egoísmo,
    Pensam que, por estarem sob os holofotes da voga, merecem
    Imadiato reparo pelas balas da perda que os alvejam ao sol do
    Agora]

    No entanto, a eles se deve dizer:
    Todo dia uma digna luz da vida é apagada;
    Todo dia vigas da existência são destroçadas;
    Todo dia tombam mães e pais de família, curtidos de sol
    [E de labuta,
    Pelas mãos dos revólveres da legalização segura;
    Ou perdem seus filhos para as falsas promessas do capital,
    Que traz consigo o rastro bruno que desponta no lato sorriso
    Do horizonte da Anti-Aurora Imperial

    Portanto, cessemos definitivamente de verter os inefáveis Granizos da hipocrisia.
    Se vamos chorar, choremos, então, não tão-somente por
    Vaga-lumes que julgam estar no auge da sua luminescência;
    Todavia, sobretudo, com o mesmo ardor pelos seus congêneres,
    Que erram por aí, quase sempre ofuscados pela inexorável
    Sombra da mendicância, do padecimento, da desventura
    [Do anonimato que se propala, abunda!

    JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA


  9. DONA DA MINHA VALSA

    Gostas de seguir-me a cada movimento.
    Amas quando tens o ensejo de te apossar dos meus pensamen-tos.
    Excitas-te ao sentir o pulsar hercúleo e edace da tristeza.
    Tristeza em que dolorosamente sirvo de alfobre.
    Teu alfobre. Tua vivenda!

    Tu, sempre a fechares todas as gretas de alacridade
    Que abro.
    Tu, sempre a salpicares meu peito de desventuras,
    Enxovalhado-o de mágoas, oceano de amarguras.
    Tu, sempre a pores limitações em meus ideais,
    Onirofágico relicário de meus mais caros sonhos.
    Tu, sempre a quereres que siga um caudaloso rio soturno.
    Tu, sempre a fazeres de mim teu manipanso.
    Tu, sempre a rainha magna da possessão.
    Tu, sim. És tu mesmo: sicária conseqüência da sonhada
    Felicidade vã!

    Na verdade, queres me botar na valsa…
    Na verdade, me impões a valsa…
    Na verdade, me fazes dançar contigo a valsa…
    Na verdade, em mim, és a própria valsa. Enfim, tu, solidão, és a
    Minha própria valsa diária

    JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA


  10. SAUDADE DE QUEM NÃO ME LEMBRO O NOME

    Hoje estranhamente acordei sentindo sua falta.
    Infelizmente seu nome não consigo recordar,
    porém, me recordo do seu laticínio corpo delgado.
    Me lembro claramente da sua melena lisa ao modo desarrumado.

    Me olvido também de quando
    nós dois a primeira vez nos encontrado tenhamos.
    Todavia me recordo: na verdade, tenho em mente
    a consciência de muito dialogarmos
    toda vez qual nos achávamos pela biblioteca circulando
    entre as demais gentes que lá, por várias razões, andavam
    também transitando. Sim, a transitar outros seres anônimos.
    Quase sempre a procurarmos o encantatório da leitura…
    Quase sempre em busca do viajar o mais longe que podíamos…
    Quase sempre a desejar sermos trasladados a distintas dimensões:
    Indigestas, ignotas, jucundas, simplórias. Não compreensivas!
    Quase sempre a vermos se as Bíblias, ao tocar a nuança da nossa
    Sensibilidade,
    nos poderiam ajudar na melhor compreensão da verídica natureza
    do nosso antrópico
    Mundo
    o qual ama fazer esvair em nós a razão e a generosidade de tudo!

    E dialogávamos sobre inúmeros temas.
    Realmente temas e coisas que muito variavam. Era o que mais
    espanto me causava:
    um marxista e uma protestante.
    Sim, exatamente. Exatamente duas têmperas híbridas do pensar
    dialogando sem quererem se sobreposicionar.
    Duas Floras do pensamento que se conhecendo, se afagavam.
    Afagando-se: se polenizavam.

    Me recordo do seu singelo bonômio sonho.
    O sonho de ser enfermeira. Um prosaico sonho apenas.
    O sonho cada vez mais prosaicamente insólito de ajudar os
    Outros.
    O sonho comunal de ver o bem-estar de todos.
    Seguramente, agora, muito freqüentemente, um sonho de
    Poucos.
    Mas o que importa, para mim, é que juntos: tênue ou fortemente
    O
    Compartilhamos!

    Sei bem perfeitamente. Como o sei!
    Sei que na ponte da latitude,
    por onde caminham a morigeira ganância
    tampouco o machado e a foice,
    repousa uma diferença incomensurável, por demais grande!

    Porém, apesar de não nos amalgamarmos
    na
    seara das idéias,
    sempre nos irmanávamos: irmanávamos ao nos permitir
    afinarmo-nos numa interação de circunspeção sincera.
    Por isso acredito: como na assimetria do cravo e a rosa,
    que na incoerência dos sexos se conchavam;
    Então, na mesma medida em que opostos nos harmonizávamos,
    com o hábito do tempo, poderíamos nos haver conchavado.

    Sim, viajo pra dentro do âmago da mente
    e definitivamente não consigo…
    Lembro de novo do seu corpo: banhado em mar alvo.
    Lembro da feminilidade comum dos seus óculos na cara.
    Lembro do azul do jeans da calça e da saia.
    Lembro da bolsa retangular de mulher conservadora.
    Lembro de tudo do que seja possível fazer me lembrar de você,
    Alma Boa.
    Só não consigo me lembrar do nome de sua pessoa.
    Sim, devo dizer que é isto o que mais me atordoa!

    JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

    http://pedrasdapoesia.blog.terra.com.br


  11. LONGEVIDADE

    Aquilo que contemplo, através da televisão,
    são brados de socorro:
    brados ecoados por sulcos
    [Sulcos concebidos, a partir, da matéria vil do sofrimento. A viver, miseravelmente, de gotículas esparsas d’água e esporádicas côdeas de pão.

    Vejo aquela hoste de sulcos dispostos em renques, filas
    a esperar, sob o abrigo solar,
    o altruísmo abominável duma estatal hóstia ultrajantemente
    Satânica, melhor, tão humanamente divina… divinamente humana]

    Testemunho, com o mais profundo pesar,
    estes denodados sulcos que suportaram
    nas costas o sicário peso do erigir
    do processo industrializatório de um agrário país;
    Agora tratado como ícone do que é supra-anacrônico, do abjeto Moribundo!]

    Entretanto, a televisão não quer e nem pode
    penetrar no âmago dos sulcos
    e, então, claramente ver
    a magnitude do estrago
    causado pela mordaz lâmina da natureza do desgosto.
    Não, porque, se assim o fosse,
    Ela perdão eternamente os rogaria… Perdão pelo ABSURDO que, afinal, não cansa de perpetrar um só dia!!!!!!

    Mas não, essa humilhação não basta:
    não basta para saciar o parasita.
    Ele deseja que mesmo estafados e sem chance de trabalho,
    os sulcos laborem até o crepúsculo da sua dura vida
    [Enfim, sempre quase a morrer de fome e o pior de tudo: não tendo nem sequer um Réquiem de despedida deste aquosamente maravilhoso mundo!

    Não esperava, mas sinto:
    sinto o agonizar dos sulcos;
    sinto o estertorar de pungência dos sulcos;
    sinto o empedernir do corpo sentimental dos sulcos.
    Não esperava, mas sinto:
    sinto um forte desejo de morte brotar dos sulcos desta humilde gente
    que trabalha.
    Trabalha e sofre muito]

    JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA


  12. VENTANIA ABSTRATA
    ( A Gilberto Salvador)

    Cada reta que você traceja de paleta,
    enseja a sobreposição de um veio do vento a reverberar na tela.

    Vislumbro a ansiformidade que se materializa
    na tela: ansiformidade dos seus manuais gestos,
    sempre tão libertos, que erigem justamente
    a obra ao sabor da livre forma á qual uma asa anárquica anela
    ao se aperceber completamente tomada pelo magno abraço da
    força emanada da magnitude da Óptica poética.

    No entanto, reside em cada traço transposto
    uma justeza geométrica que faz da anarquia,
    entranhada na obra, do mundo uma das mais
    insuplantáveis fortalezas, cuja vista, imersa em mar de água cristalina, divinamente enxerga, alcança, voeja, Erra.

    Porque cada reta de nuança híbrida, que você delineia ao salpicar a tela, é o cimento da sageza que solidifica a poesia da
    sua leveza: sim, a diafaneidade de sua natural cinética, presentificada na asa-tomo em que pincela.
    Não, não caio em logro: você é a própria personificação da candura e trangressão contidas na liberdade, que por sua vez transparece na singela beleza do vôo sobre o quadro em que o projeta.
    Mesmo quando não a tangia deliberadamente,
    você, ao discernir e expor as chagas abertas pelas garras da intransigência, buscava afagar a face da dama
    da sábia flatulência. Sim, eu falo daquela que por qualquer
    coisa lutar se vale a pena. Daquela centelha de ânimo que
    se reacende toda vez que se vê um horizonte a lhe abrir os
    dentes. Daquele magma a se infundir quando, ao acordar, se
    tem a certeza de que viverá mais um dia novamente.

    Ah, como queria, como queria
    que minhas letras fossem movidas
    pela lufada do sortilégio, do lirismo, da ductibilidade,
    da têmpera e da sofisticada simplicidade da poesia dos seus
    plásticos trabalhos, Ventania.

    Sim, sinto o quão é vão meu verbo
    Sim, o sei estéril
    Mas, então, eu ouço um eco
    Um eco que não emana de mim ou de meu léxico débil
    Tal eco me faz depreender a grandeza do silêncio
    Esse eco não é qualquer eco
    Esse eco grassa continuamente no ar
    Esse eco é a voz do firmamento
    Esse eco é o próprio vento roçagando o tempo
    Esse eco é você, ideologia do vento
    Esse eco é sua arte, que me invade o corpo e me doma o en-
    torno do pensamento, até então, entediado, morto sem sê-lo,
    sem senti-lo, nem mesmo sabê-lo, na verdade.
    JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA


  13. DARK VOICES

    Sinto a soturna brisa adentrar a casa através da soleira da porta
    Da cozinha. Ela rocega a face minha
    De maneira quase não-sensitiva
    Todavia, felizmente, seu suave frescor tenuemente frio a denuncia

    Com ela, vagalhões de imagens vêm á boca da superfície:
    Imagens que evocam as relíquias perdidas na arca gasosa
    De eras recentemente remotas e outras em índole assaz
    Diversa. A bem da verdade, diversa por gostar de seguir a
    Trilha deixada pela momentaneidade: esta sempre a descerrar
    O gás da contínua viagem. Sempre a carregar consigo um olhar
    De transato, como quem sempre esteja a pedir carona ao estuário:
    Estuário da imutabilidade

    No entanto, como por encanto, as duas
    Nuanças, de natureza tão híbrida, se encontram, se irmanam, se
    Fundem, se corporificam: a formar uma só substância, uma tão-só
    Massa, somente um único conjunto de partículas. Sim, partículas
    Congregadas em torno de um ideal. Ideal de me enclausurar em
    Bosques labirínticos do ostracismo, onde me aterrem os meus Mais recônditos medos selvagens, meus intermitentes remorsos, o
    Lancinante olor da saudade. Enfim, o rosto medúsico do vazio
    A dardejar seu sorriso além d’amplidão entorpecedora do espaço
    Inefavelmente expansivo

    Não obstante a tortura
    Não obstante a tormenta
    Não satisfeitas, elas se transmudam em pavorosa sinfonia de Hienas. Ah, elas caminham sobre o asfalto da rodovia que nos
    Leva á ópera da coruja, ao metálico concerto do corvo:
    Os quais esperam ansiosamemente o verter do sublime crepúsculo
    Imorredouro
    Oh, mas elas convertem-se, afinal, no réquiem uníssono da presa
    A saber ser finda a luz que nela se assenta, se aviva, Acenda!

    Depois… paira o som
    Depois… reina a ressonância tácita
    Depois… o crepúsculo das eras fragorosas, onomatopéicas, Profundamente ressoadas
    Depois… a reverberação da vacuidade da magna voz:
    Magna voz que se cansa e se açaima
    Magna voz que, ao se calar, deixa o dantesco gosto da bile
    Ressoar na boca da nascitura madrugada:
    Madrugada da moribunda aurora pálida!

    JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA


  14. INCERTEZA

    Em certos momentos, eu queria negar meu corpo.

    Cada sensação insana que nasce sem raciocínio;

    Um gostar que se defina… Como louco,

    Por que tento, mas não consigo ter domínio.

    Vejo tantos momentos acontecerem.

    E não sinto toda essência que deveria.

    Eu queria que todos se fossem…

    A cada tarde de cada dia…

    Em determinado tempo resolvo fechar os olhos,

    E procurar dentro de mim o que não há fora.

    Por que sinto que movo comigo vários sonhos;

    É uma paixão indevida que já deveria ter ido embora.

    Abstratos; não seria o substantivo certo aos meus sentimentos,

    Definiria como insensatos e independentes na verdade.

    Pois noto que não depende da quantidade de momentos;

    Mas de um instante de lamento que nasce de uma saudade…

    Veja aqueles olhos atentos e submissos.

    As palavras não ditas… Jogos não abertos.

    Ao decorrer de fatos quase sempre omissos…

    Mas que não conseguem ser discretos.

    E as atitudes se tornam totalmente banais.

    E há quem, diga que ter sentimentos faz bem,

    Não julgo que sejam naturais,

    Mas assumo que não se vive sem…

    E com desdém que critico o que sinto,

    E acho que às vezes até minto;

    Quando digo que meu sentimento é distinto.

    Mas a conclusão real do meu sentimento…

    É que ainda não sei o que sinto,

    E volúvel instável; como folha ao vento,

    Como água de mar em um filtro,

    Como relva ressequida ao relento.

    Mas apesar de tantas críticas e definições,

    Sabemos todos que; assim sempre será…

    Nascerá e morrerá muitos sentimentos, em diversos corações.

    Mas a certeza e que “deles… Pouco se entenderá”



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